sábado, 30 de maio de 2015

Um dia sobre não ser importante.



A gente tem que perceber que não é especial. Que mentiram pra gente. Que um dia a gente vai sim morrer. Que todos os nossos dentes irão cair. Que nosso sangue é vermelho como as bandeiras que dominam o mundo.
Um dia a gente tem que apanhar pra saber que somos mortais, pra saber que não somos especiais. Que a gente pode levantar orgulhosos de nossas cicatrizes e da nossa vã mortalidade. Por que não somos mais crianças.

"Hit me as hard as you can".

domingo, 24 de maio de 2015

Redução da mentalidade penal

Uns falam sobre a redução da maioridade penal como resposta aos crimes que são cometidos, também, por menores de dezoito anos. Eu não concordo com a medida pelo fato de ser simplista e, pior, omitir as raízes da criminalidade; onde estão a injustiça social, reclusão de direitos e estímulo escancarado dos valores hegemônicos dentro da sociedade que não fazem e nunca fizeram sentido na vida das camadas mais pobres. Também um crime moral cometido diariamente por publicitários dos inconsciente. Mas eu simplesmente não me limito a dizer que não. Acho muito pouco apenas negar, comparável a dizer que sim no que toca a concretização das transformações de mundo. Tento ser mais a favor do que contra sempre. A favor do rompimento ideológico que naturaliza e cria todo tipo barbaridade que existe dentro e fora do alcance das telas privadas de cumplicidade estatal. Se não alcançamos esse patamar de desenvolvimento ainda e alguns, falsamente, acreditam na falácia da falta de recursos — sic, interesses — para alcançá-lo, ao menos acredito na possibilidade de construir instituições que promovam uma recuperação esperançosa. Entre os que dizem sim e não, há um abismo de interesses em comum, entre estes a paz.

Minha opinião está sintetizada nessas linhas muito resumidamente. Eu poderia me estender sobre o assunto, dava pra fazer um baita texto, mas eu lembro que as vezes é bom colocar coisas pequenas, que abram margens para o pensamento livre. Seguimos assim, as ideias não estão construídas ainda. Ao seguir com a escrita eu desenvolvo minhas ideias e as coisas tomam formas, sempre mutáveis.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Feliz dia do índio pra mim que não sou índio

 Esse é um dos vários texto que digitei para expor no facebook, mas como na maioria, acabei ocultando por que pouca gente quer ler textos longos. Particularmente me orgulho desse texto, achei ele legal. Tire tuas próprias conclusões e dê sua opinião nos comentários. Ficarei feliz em ler.

Vamo dar uma voltinha sobre o dia do Índio? Não vai demorar.

 Ainda posso ver ao horizonte desse mar extenso caravelas de madeiras se aproximando lentamente em direção a praia. Nossas tribos nunca tinham visto algo tão genuíno e, ao mesmo tempo, tão refinado. As velas estufadas acobertavam pessoas brancas que mais se pareciam com macacos que por aqui habitavam pela agitação em que se moviam dentro das casas de madeira flutuante. O nosso chefe, já velho, nos deu sinal para observarmos o que sairia das casas com cautela, afinal, nunca recebemos visita de tal proporção que não fossem dos nossos rivais sobre terra.

 Pela peculiaridade da situação acreditei que seus gestos tivessem algum significado, mas todos perceberam o medo e a ansiedade deles pelo contato conosco naquele momento raro. Era totalmente recíproco. Não sabíamos que aquela pele branca coberta de panos trazia consigo uma capacidade destrutiva tão horrivelmente grande. A partir desse momento se inicia cinco séculos de saqueamento, expulsão, exploração, escravização e mortes precedidas da nossa discriminação, extermínio e expropriação pelos mecanismos legais criados por esses homens que ao contrário da nossa antiga civilização — na qual não tinha esse nome, mas vós falo para que entendas minha linguagem —, vivem através dos séculos para dar continuidade a sua sociedade.

 Atacam-nos a todo o momento por não termos suas caixas quadradas falantes que guiam esses homens brancos dizendo-lhes incessantemente o que fazer, o que desejar, como se comportar, como se sentir, quem odiar. Rotulam-nos de preguiçosos por que não compreendemos a algumas divisões nas formas de trabalho. Separam diversão, trabalho e subsistência. Tentaram, por cinco séculos, nos forçar a trabalhar para eles e por cinco séculos resistimos e morremos um a um, sem entender por que a ganância que motivava esses homens acabou com nossas famílias e irmãos. Simplesmente trabalhávamos para viver e não vivíamos para trabalhar como queriam eles, nos quais fomos conhecendo aos poucos em suas diversidades.

Todos carregavam a mesma ganância, do holandês ao alemão. Era-nos incompreensível a necessidade compulsiva por esses objetos tão simples e abundantes que cercam nossas matas gigantescas. A extração da árvore era efetuada de modo que poderiam banhar-se no líquido viscoso que dela escorria, fazendo-me indagar e descobrir, em uma conversa, que para eles não lhes eram satisfatório apenas trazê-las para que seu rei usufrua de tal inovação, mas que após sua morte seu filho possa usufruir dela e de tudo mais que está em minha terra.

 No inicio, intuíamos da desnecessidade de tal perversidade para que os filhos de alguns possam permutar em seu poderio econômico em detrimento da nossa exploração. Digo "nossa", pois não há qualquer diferença entre nós e a terra em que vivíamos. Mas eles nunca entenderam isto. Hoje nos repelem. Freqüentemente estamos nas áreas de interesse das empresas que se utilizam da grande caixa em forma esquisita para que as pessoas nos vejam como subversivos, agressivos e anti-progressista por cultivar da nossa cultura nos restos de terra que nossos antecedentes, ou melhor, sobreviventes nos deixaram. Somos vistos como obstáculos para os patrões que, ainda, buscam o lucro exagerado como era à cinco séculos atrás quando eu ainda existia em corpo antes de apontarem o cano cinza para mim e meus irmãos na segunda vez em que vieram.

 Se esses homens pudessem enxergar aquilo que eu não disse. Se pudessem perceber que não precisamos de mais do que podemos carregar. De que tudo que precisamos nós podemos construir ou encontrar, que a vida sob angustia é inadmissível, que nenhum descendente vale o sacrifício dos que estão vivos e nem sua escravização, que a terra nos alimenta e assim também alimentará nossos filhos da mesma forma, se percebessem que as necessidades da vida são as mais básicas possíveis, talvez entendessem que a vida é muito mais simples do que nos fazem parecer ser. Pra isso seria necessário que rompam com tudo que impõem à elas. Seria necessário que se permitissem descobrir que o progresso não é a finalidade da existência humana e que caminhamos na vida lado a lado e não competindo. Se eles tomarem consciência de que a vida não é um eterno acumulo, eles poderão fazer algum uso do que restou da nossa terra de forma que seus filhos não precisem nascer carregados de bens e possam viver para existir como nossos filhos faziam.

- Juan.
Texto inspiração: quando o sangue nas tuas veias regressar ao mar,
e a rocha nos teus ossos regressar ao solo,
talvez então te lembres que esta terra não te pertence,
és tu quem pertence a esta terra.
- Não encontrei a fonte.

Nessa vida, nenhum afazer deveria ser um peso. Essa vida deveria ser a melhor vida que já tivemos.

 O motorista e a cobradora acordaram putos. Ambos poderiam ter levantado melhor nessa manhã, mas ninguém sabe o que levou isso a acontecer. Ele fechou a porta da frente do onibus e nem viu quem é que tava entrando, poderia ser minha tia. A cobradora, por sua vez, não se importou em dar bom dia pro sujeito de idade que sentara na parte frontal do onibus, alguém deveria fazer alguma coisa a respeito [ironia]. O que é que acontece na vida de alguém para que ela veja a vida com uma carga a se carregar, como se cada dia houvesse de se suportar por alguma incapacidade de mudar a rota das velas do seu barquinho à deriva. Que tipo de mentalidade é implantada na vida das pessoas que as fazem multiplicar a indiferença dentre seus colegas de convívio? Todos os indivíduos pareceram frustrados dentro daquele onibus, por um momento cheguei a pensar que ninguém gostaria de estar ali. Poderia até achar, talvez, que eles não soubessem qual é seu objetivo nessa breve passagem pela vida. Seria muito rude eu utilizar de um ínfimo dos vários segundos que tenho de vida pra perguntar à eles? Isso me transformaria no Platão do subúrbio. Seria igual repelido, exceto que não fariam de mim alguém notório. Só um louco causando desconforto.

 Em todo local eu vejo a amargura, rancorosidade e, nos casos de maiores riscos, angústias irremediáveis. O que leva a tudo isso é a imposição mundana. A gente nunca acha culpados, saca? O mundo cria uma confusão na nossa cabeça, nunca conseguimos saber o que de fato queremos. Mas aprendi há algum tempo que a humanidade tem sido dominada por fazer as perguntas erradas, por isso tantos conflitos. Eu, afinal, sei muito bem do que eu não quero pelo menos. Não posso aceitar que seja natural um grupo de, pelo menos, vinte pessoas amontoadas em um mesmo ambiente não possam conversar entre si sem haver algum clima de animosidade ou discordância. Como se pode aceitar esses valores que são colocados a nossa frente todos os dias, como se fôssemos maquinas prontas para servir e só disso somos capazes, a falácia da objetividade... Não me resta dúvida de onde vem tanta gente indiferente, liberdade acorrentada, rebeldia morna. As pessoas, tenho certeza, conseguiriam encontrar a própria saída se as deixassem pensar sozinhas. Não queremos um comando sistemático de como viver e o que fazer. Não é difícil entender que no fim vamos todos morrer e nada disso fará sentido algum se não formos uma coletividade humana em rumo à algo que ainda não conhecemos, mas que fiquemos juntos em solidariedade e cooperação, não competição como a vida é apresentada.

 Permitamo-nos viver, porra. Não acordei de manhã cedo para mandar ninguém tomar no cu. Não me dirigi até a sala de aula para que eu ficasse absorvendo conteúdos que não me ajudam a transformar a sociedade minimamente enquanto fico calado como uma porta. Ócio é coisa de europeu rico, eu quero trabalhar, produzir, conhecer, construir. Tenho absoluto repúdio pela sociedade da forma como ela me é mostrada. Uma sociedade que não interessa a ninguém que ande por ela, talvez para outros. Pessoas em função do capital escravizam a humanidade em um crime moral milenar, convertendo amarguras em dinheiro. Se nos permitimos pensar fora do cotidiano, abriremos um leque de oportunidades intermináveis, que trarão à vida sabores, cores, amores. Não podem me convencer que a vida é só isso e já basta. Não consigo aceitar que um dia sequer é perdido ou em vão, eu quero me libertar todos os dias pois, também, vivo todos os dias. Vender-me é aprisionar-me com a chave dentro de mim. Na verdade, a libertação vem com a ausência do medo que nos prende. Temos medo de não aceitar as imposições que nos governam sob o risco de ficarmos fora da caixa. E nela, somos apagados dentro da História por não fazer-nos ouvir. Poderia fazer uma analogia com um gato de estimação, no qual tentamos prender dentro de casa para que, na rua, ele não morra ou se machuque, sem jamais nos perguntarmos se não era à ele preferível viver pouco e ser livre.


segunda-feira, 18 de maio de 2015

As devidas apresentações

Oi pra você aí. Devo me apresentar. Meu nome é Juan, sou estudante do curso de História na Universidade Federal de Santa Catarina e eu tenho um plano. Surgiu-me a necessidade crescente de escrever as coisas que penso, nelas, descobri que tenho opinião e na opinião só me cabe a exposição. A vida cotidiana carrega consigo maneiras de abafar nossos pensamentos, e nos pensamentos as ações reais. Quero poder expor-me mais quanto a liberdade de pensar, tão morna na massificação popular. Claro, quero te ajudar, também, a pensar. Eu penso sobre todo o tipo de coisa, as vezes falo besteira, as vezes faz sentido, as vezes não há respostas, as vezes irrelevante...

Bom, sobre mim, acredito que quem muito se classifica, na verdade se desclassifica, portanto não falo sobre quem sou pois estaria enganando você e a mim mesmo. O por quê de eu ter escolhido a palavra "estória" e "fato" implica numa contradição e, ao mesmo tempo, não implica. O que é história? O que é estória? Não percamos tempo com isso.

Esse sou eu com naipe Jah man militar: